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Educação especial

30/01/2010 às 23:54


FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES NO MUNICÍPIO DE GOIANA (PE): UM ENFOQUE SOBRE A EDUCAÇÃO ESPECIAL

Sidcley Cavalcante da Silva

Resumo:
O presente estudo de abordagem qualitativa é um relato de pesquisa, nos leva a revelar os nossos próprios conhecimentos a cerca do ser professor, confrontando com às dificuldades e os problemas vivenciados na prática escolar. Partimos do pressuposto da formação adequada, do acesso e igualdade de condições dos alunos portadores de necessidades educativas especiais, bem como a relação dos professores das Escolas Municipais de Goiana (PE) com esses alunos. Como suporte metodológico, usamos um questionário individual com roteiro semi-estruturado e a observação naturalista das professoras no ambiente escolar. Os resultados obtidos com o nosso estudo permitiram-nos concluir que ainda falta formação para os professores, no que diz respeito à inclusão e integração desses alunos. E ainda evidenciamos a necessidade da superação das barreiras atitudinais e a discussão do assunto, promovendo assim a igualdade, o acesso e permanência desses alunos na escola.

Palavras chaves: formação, professores, educação especial

Abstract:
The study of qualitative approach leads us to reveal our own knowledge about the teacher is, confronting with the difficulties and problems experienced in school practice. On the assumption of adequate training, access and equal conditions of students with special educational needs, and respect of teachers in municipal schools of Goiana (PE) with these students. Methodological support as we use a single questionnaire with semi-structured script and naturalistic observation of teachers in the school environment. The results of our study allowed us to conclude that there is still training for teachers, as regards the inclusion and integration of these students. Is further evidenced the need to overcome attitudinal barriers and discussion of the subject, thereby promoting equality, access and retention of these students in school.

Keyword: training, teachers, special education

Fundamentação Teórica:
Há alguns anos o tema inclusão versus exclusão vem sendo discutido no cenário da educação brasileira. E tem sido um constante aprendizado, devido às novas tendências sociais e educacionais que a sociedade apresenta. Assim, discuti-se qual a formação ideal ou necessária dos professores do ensino básico, tendo em vista novos recursos e metodologias existentes.
Dessa maneira, a proposta de uma formação continuada traz a concepção de um processo prolongado para a vida toda, um contínuo desenvolvimento que valoriza os conhecimentos que o professor já possui. “a associação entre teorias e práticas, inclusive mediante a capacitação em serviço.” (LDB 9396/96, Art. 61, I).
Segundo García (1999, p. 22), “O ensino, a docência, se considera uma profissão, é necessária, tal como noutras profissões, assegurar que as pessoas que a exercem tenham um domínio adequado da ciência, técnica e arte da mesma, ou seja, possuam competência profissional”. 
Entendemos que a formação de professores requer um olhar para a diversidade; Onde, esse profissional implementa e dá condições mais favoráveis a esses alunos, atrelado ao conceito de respeito às diferenças e na promoção de igualdade.
Evidencia Boneti (2000, p. 238-239) que:
É nesse aspecto que se encontra o grande desafio da escola. A busca da homogeneidade, que confere com os propósitos do projeto econômico e político global, mas compromete o papel da escola na luta pela inclusão social dos diferentes e dos segmentos sociais com menor capacidade de enfrentamento da competitividade.

Portanto, os alunos com dificuldades de aprendizagem, requerem ajuda especial, para alcançarem desenvolvimento educativo, por isso devem contar com a ajuda e o apoio dos professores em salas regulares, professores itinerantes, psicopedagogos,  psicólogos, e vários outros profissionais da área de educação.
Nesse contexto, Segundo a LBD estabelece em seu Art 58, parágrafo 1º, “haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial”.
Assim, percebe-se que a escola regular em regra geral, deve contar com vários recursos que podem ser desenvolvidos ao longo de suas atividades e transferência de conhecimentos.
Sobre esse aspecto, Mittler (2003, p. 139) esclarece que “São as experiências cotidianas das crianças em sala de aula que definem a qualidade de sua participação e a gama total de experiências de aprendizagem oferecidas em uma escola”.
Nesse sentido, entendemos que a escola seja o local ideal para promoção da aprendizagem, da inclusão e da integração. Para tanto, não se descarta a intenção de termos profissionais qualificados para esse fim, gerando com isso, a oportunização dessa formação, útil e necessária.
Portanto, como afirma Parolin (2003, p. 9), “aprendizagem é um processo que leva muito tempo e que necessita do amadurecimento de vários aspectos do aprendiz: o cognitivo, o emocional, o motor, entre outros”
Nesta perspectiva, a Escola Cidadã contribui significativamente com todos os atores envolvidos no processo de ensino e aprendizagem, pois exerce o seu trabalho de forma multidisciplinar, numa visão sistêmica. Por isso, a proposta exposta nesta pesquisa reforça o pensamento de que se deve sempre buscar melhorias na prática docente.

Aspectos Metodológicos:
Foi realizada uma pesquisa bibliográfica e levantamento de dados, tendo como referência o cadastro dos alunos com alguma deficiência no Centro de Atendimento aos Portadores de Necessidades Educativas Especiais da Cidade de Goiana (PE).
Então, a pesquisa foi caracterizada como um estudo exploratório e descritivo, de abordagem qualitativa. Aonde, foram pesquisadas 12 professoras que trabalhavam com alunos com necessidades educativas especiais, das Escolas Municipais Dr. Manoel Borba e Profª Zilma Gemir Baracho, ambas situadas na cidade de Goiana, Pernambuco, Brasil. 
 
Foram abordadas questões sobre as determinações preconizadas pela Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (CNS, 1996), que normatiza as pesquisas envolvendo seres humanos. O projeto de pesquisa foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Agamenon Magalhães e aprovado em 31 de maio de 2007, sob nº 120/2007 (Registro CEP), após autorização das referidas escolas, foram coletados os dados.
 
A pesquisa de campo foi realizada no período de 4 de junho de 2007 a 30 de outubro do mesmo ano. Onde, vale ressaltar que as informações coletadas são de caráter confidencial, somente a equipe do projeto teve acesso ao cadastro com os nomes e identificação das professoras pesquisadas.
  
Análise dos Dados e Resultados:
Apresentamos informações que tratam das características das professoras e da realidade domiciliar pesquisada. Os nomes das professoras e dos alunos não serão revelados.
 
Do universo pesquisado, cerca de 70% das professoras tinham formação para o Magistério, e 5% apenas com pós-graduação. Quanto ao tempo de trabalho, em média seis anos na área da educação, e 90% possuíam mais de um vínculo empregatício. A média de idade era de 25 anos..
O grande desafio não está apenas na atenção aos alunos especiais, mas, a todos os alunos, em regra geral. E isso, requer do professor cada vez mais atenção para o pleno desenvolvimento das atividades em sala de aula.
Então, como podemos desenvolver uma prática educacional, diante de uma atmosfera que se situa em uma sala de aula com 30 a 35 alunos “normais” e  06 alunos com necessidades especiais, em torno dos problemas apresentados no dia-a-dia?
Diante desse cenário, podemos observar nos recortes das falas das professoras que ainda existe um clima de inquietação nos questionamentos apresentados:
“...Ou bem volto minha atenção aos alunos especiais,  e a sala de aula vira de cabeça para baixo, ou então eles ficam no cantinho deles. Enfim, não conseguindo progredir em quase nada” .  P1
Podemos observar que a educação doméstica, aqui é um ponto fundamental nesse processo, onde os pais estão delegando toda a responsabilidade às escolas, que não mudaram para atender esse público-alvo.
Confrontando com essa realidade, indagamos as professoras no que diz respeito ao seu projeto político pedagógico ou da escola. E as respostas foram às seguintes:

Um projeto que permita aos pais, professores, gestores e orientadores uma linha de educação e especialização digna, para que todos juntos desenvolvessem uma escola para trabalhar no sentido de formar cidadãos conscientes, capazes de compreender e criticar a realidade, atuando na busca da superação das desigualdades, do respeito ao ser humano. P2
 
Assim, os alunos de hoje, não são os mesmos de ontem, e nem serão os mesmos de amanhã, a escola precisa adaptar seus currículos, metodologias, e conceitos pedagógicos para atender cada vez mais substantivamente esse público, mesmo reconhecendo que os pais são co-responsáveis desse processo inacabado.
 
Então o que está faltando? Perguntamos as professores sobre sua formação continuada, e podemos averiguar a seguir:
  
“A falta de capacitações que envolvam a educação especial como foco, apoio de psicólogos para poder acompanhar melhor essas crianças com deficiências, falta de materiais didáticos, um espaço adequado aonde essas crianças pudessem desenvolver suas habilidades com mais entusiasmo e apoio dos professores”. P3
 
Assim, percebemos que a escola tornou-se o lugar da merenda, do rever os amigos, brincar, bagunçar, brigar, e por fim, bem no final dessa enorme cadeia de afazeres, está o estudar. Percebemos, afinal de contas uma inversão de valores, onde a escola tornou-se um grande escape.
Diante desses questionamentos, as professoras começam a elaborar explicações para o fenômeno observado.
“Eu não fui capacitada para trabalhar com isso, eles precisam ter pessoas para trabalhar com ele, confesso que não sei o que e como fazer”  P4
 
Notamos o desejo dos professores, de terem conhecimentos e práticas para melhor contribuir com esses alunos em sala de aula, embora saibamos que não existem mágicas ou milagres, mas sim, um olhar crítico, atencioso, com muita paciência, e amor.
 
Enfim, diante desse universo o que precisamos modificar ou somar no que diz respeito as nossas habilidades e competências necessárias para consolidar nossa prática pedagógica? 
 
“Está ligado no dia a dia e cotidiano da sala de aula. Dessa forma a experiência adquirida pelo professor faz a diferença, sem deixar de lado o estímulo diário da aprendizagem. P5
 
Portanto, salientamos o papel dos professores itinerantes que dispõem de um trabalho excelente com os alunos especiais, devido ao melhor contato com esses alunos, uma atenção depositada exclusivamente para eles, com metodologias, técnicas, que vêem facilitando todo o aprendizado.
Embora, saibamos o quanto essa modalidade de professores precisa aperfeiçoar-se e o quanto ainda sofre preconceitos por parte dos outros colegas de profissão. Não existe ainda outros profissionais fixos em muitas escolas como, psicólogos, pedagogos, levando assim os professores regulares, sejam ao mesmo tempo professores e desempenhem outros papeis que não lhe cabem.

Considerações Finais
A análise do projeto de formação continuada de professores, cuja ênfase está voltada para os jovens com necessidades educativas especiais permitiu-nos a concretização da prática pedagógica, a conhecer de perto a diversidade de fatores que envolvem a aprendizagem docente.
A revisão da literatura sobre o tema, as entrevistas realizadas e o projeto de formação, permitiram-nos compreender que os professores estão dispostos a estudar, a aprender e analisar seu trabalho e que não medem esforços quando encontram no grupo de formação, apoio, respeito e acolhida para suas inquietações.
Foi possível identificar ainda com as professoras, uma vontade de mudança em relação ao trabalho que vinham desenvolvendo. Para isso, dispuseram a participar do projeto como busca para trabalhar as dificuldades sentidas em sua atuação profissional.
Compreendemos, no entanto, que as professoras, pressionadas pela prática na qual estão inseridos, têm problemas muitos concretos e urgentes a resolverem, dentro de um espaço de tempo delimitado: o tempo da aula, da turma, do ano letivo, precisando encontrar possíveis soluções.
Então, trabalhar com as professoras a partir dos problemas concretos detectados em seu fazer docente, garantirá que as mesmas se interessassem pelo conhecimento, de transformar a teoria, antes tão distante, em saber concreto.
E sem dúvidas, este mérito deve ser atribuído a este trabalho: a criação de novas possibilidades, tanto para os formadores, quanto para os professores envolvidos; possibilidades que inauguram uma nova fase nesta infindável caminhada, de eternos recomeços, rumo a novos conhecimentos.

Referências:
BONETI, L. W. Educação, exclusão e cidadania. 2 ed. Ijuí: Unijuí. 2000.
GARCÍA, C. M. Formação de Professores para uma mudança educativa. Porto: Porto Editora, 1999.
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. MEC. Extraído do site:
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf. Acessado em: 10 nov 2006.
MITTLER, Peter. Educação inclusiva. Contextos sociais. Porto Alegre: Artmed, 2003.
PAROLIN, Isabel. Pais educadores. É proibido proibir? Porto Alegre: Mediação, 2003.

Publicado em 27/01/2010 16:26:00


Sidcley Cavalcante da Silva - Biólogo; Professor Especialista em Ed. Especial; Pesquisador do Grupo de Pesquisas: Saúde Coletiva e Plantas Medicinais – CNPQ/UFPE ; Membro do Conselho Participativo Deliberativo da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil – Goiana/PE); Educador Projovem Urbano/PB; Parecerista da SECTMA –Secretária de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente/PE . Colunista do Jornal Flha da Mata. E ainda é Terapeuta Holístico (Reiki Master).

Fonte: www.psicopedagogia.com.br



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